A Arena de Verona é um anfiteatro romano no coração de Verona, construído por volta de 30 d.C. — no século I, quando a cidade era uma próspera colónia romana. Foi erguida mesmo fora das muralhas originais da cidade, e só em 265 d.C., quando o imperador Galiano expandiu as muralhas, o anfiteatro passou a integrar a cidade que hoje ancora. Construída com o calcário rosado e branco das colinas próximas de Valpolicella, a estrutura elíptica podia acolher cerca de 30.000 espetadores, que assistiam a combates de gladiadores. É o terceiro maior anfiteatro romano sobrevivente, a seguir ao Coliseu de Roma e ao anfiteatro da antiga Cápua, e um dos mais bem preservados em todo o mundo.
A Arena ergue-se na Piazza Bra, a praça mais imponente de Verona, e domina-a por completo — um anel completo de bancadas de pedra aberto ao céu. Um terramoto excecionalmente violento, a 3 de janeiro de 1117, destruiu quase todo o anel exterior; o que sobrevive dessa monumental fachada externa é um fragmento de quatro arcos conhecido como a Ala, que ainda se eleva acima da muralha circundante e sugere a altura imponente do exterior original. O anel interior de arcadas e as bancadas escalonadas, notavelmente, atravessaram os séculos praticamente intactos, razão pela qual o interior ainda se lê com tanta clareza como uma arena romana em pleno funcionamento.
A própria Verona foi inscrita pela UNESCO como Património Mundial em 2000, reconhecida como um exemplo excecional de uma cidade que se desenvolveu continuamente ao longo de dois mil anos, incorporando elementos artísticos da mais alta qualidade dos períodos romano, medieval e renascentista. A Arena é o monumento definidor da cidade e uma peça central dessa inscrição — uma rara sobrevivente do mundo romano que nunca deixou de ser utilizada.
Essa continuidade de uso é a característica mais notável da Arena. Enquanto a maioria dos anfiteatros romanos são ruínas, este ainda se enche. Desde 1913, acolhe um célebre festival de ópera de verão, e a sua acústica e as vastas bancadas fizeram dela um palco há mais de um século. Uma visita diurna permite-lhe usufruir do monumento nos seus próprios termos — percorrer o chão da arena, subir os degraus antigos e estar onde 30.000 romanos outrora se sentaram, muito antes de chegarem as multidões da noite e as luzes do palco.